No centro de Cândido Mota existe um dos maiores símbolos da história e da identidade do município: a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores.
Muito mais do que um templo religioso, a igreja acompanhou praticamente todo o processo de formação e crescimento da cidade. Sua história começa ainda quando o povoado era conhecido como Posto Jacu, passa pela construção de pequenas capelas de madeira, acompanha a transformação do povoado em vila e município e chega à construção da atual matriz.
A história da igreja também está diretamente ligada ao Coronel Valêncio Carneiro de Castro, à chegada de novas famílias, ao crescimento da população e à organização da comunidade.
Hoje, a Paróquia Nossa Senhora das Dores tem sua fundação oficialmente registrada pela Diocese de Assis em 15 de setembro de 1927.
Mas a história começou muitos anos antes.
Onde tudo começou: 1913
Para compreender a história da Igreja Nossa Senhora das Dores, é preciso voltar ao ano de 1913.
Naquele período, o núcleo que posteriormente se transformaria em Cândido Mota ainda era um pequeno povoado ligado à expansão agrícola e ferroviária da região.
Segundo a história oficial preservada pela comunidade paroquial, o Coronel Valêncio Carneiro de Castro doou uma área plana para a construção de uma igreja e também uma imagem de Nossa Senhora das Dores.
A Prefeitura de Cândido Mota registra igualmente que, em 1913, Valêncio doou uma área para a construção da igreja e que o crescimento do povoado ocorreria ao redor desse espaço.
Esse acontecimento foi importante não apenas para a vida religiosa.
Na formação dos pequenos povoados do interior paulista, a igreja frequentemente funcionava também como ponto de encontro, referência espacial e centro de convivência comunitária.
Em Cândido Mota, essa relação entre igreja e cidade tornou-se especialmente forte.
O povoado ainda era chamado de Posto Jacu
Quando a primeira capela começou a fazer parte da história local, Cândido Mota ainda não era município.
Entre 1914 e 1920, o povoado era conhecido por nomes como Posto Jacu, Parada do Jacu e Chave, denominações relacionadas à ferrovia e às operações da estação.
A primeira estação ferroviária do povoado foi inaugurada em 27 de outubro de 1914, segundo o histórico oficial da Prefeitura.
A ferrovia trouxe movimento, trabalhadores, comerciantes, agricultores e novas famílias.
Ao mesmo tempo, a comunidade religiosa também crescia.
A igreja passou a representar um ponto de referência para uma população que estava deixando de ser apenas um conjunto de propriedades rurais e começava a formar um núcleo urbano.
1919: a primeira capela de madeira
Foi em 1919 que a comunidade construiu a primeira igreja de madeira.
Segundo os registros preservados pela própria Paróquia Nossa Senhora das Dores, a capela foi construída naquele ano e era atendida pelo então pároco de Assis, Monsenhor David Corso.
A construção era simples, como muitas edificações religiosas dos primeiros núcleos urbanos do interior paulista.
Mas sua importância era enorme.
Era naquele espaço que a população se reunia para as celebrações religiosas e para momentos importantes da vida comunitária.
Batizados, casamentos, missas, festas religiosas e encontros faziam da pequena igreja um dos principais pontos de convivência do povoado.
A cidade crescia — e a capela ficou pequena
O crescimento de Cândido Mota foi rápido.
O antigo Posto Jacu havia se transformado em Vila de Cândido Mota em 22 de abril de 1920.
Em 1921, foi criado oficialmente o Distrito de Cândido Mota.
E, em 1923, foi criado o município, instalado oficialmente em 13 de março de 1924.
Com o crescimento da população, a pequena capela de madeira já não era suficiente para receber todos os fiéis.
Em 1922, a igreja foi ampliada.
Segundo a história preservada pela Paróquia, uma nova estrutura de madeira foi construída ao redor da primeira capela, aumentando significativamente o espaço disponível para a comunidade.
Esse detalhe é particularmente interessante porque mostra como a construção da igreja acompanhou o próprio crescimento da cidade.
A cada nova etapa da comunidade, o templo precisava crescer também.
1925: uma igreja de tijolos
Poucos anos depois, ficou evidente que uma construção ainda maior seria necessária.
Em 1925, começou a construção de uma nova igreja de tijolos.
A nova edificação foi construída ao redor da antiga igreja de madeira, que permaneceu no local durante parte da obra.
Segundo os registros paroquiais, a construção foi concluída em 1926, quando a antiga igreja de madeira foi demolida.
Um estudo acadêmico produzido na UNESP também registra as diferentes fases da construção da igreja católica em Cândido Mota: a primeira capela de madeira, sua ampliação, a construção da igreja de tijolos em 1925 e, posteriormente, a construção de uma igreja maior em 1956.
A mudança da madeira para os tijolos representava mais do que uma alteração arquitetônica.
Era um reflexo da transformação econômica e urbana de Cândido Mota.
A cidade estava crescendo.
E sua principal igreja acompanhava esse crescimento.
15 de setembro de 1927: nasce oficialmente a Paróquia
Um dos momentos mais importantes dessa história ocorreu em 15 de setembro de 1927.
Naquela data, Dom Carlos da Costa, então bispo de Botucatu, erigiu canonicamente a Paróquia de Cândido Mota sob o título de Paróquia Nossa Senhora das Dores.
A Diocese de Assis registra oficialmente 15 de setembro de 1927 como a data de fundação da paróquia.
A escolha da data possui também uma forte relação com a devoção à padroeira, já que 15 de setembro é o dia dedicado a Nossa Senhora das Dores no calendário litúrgico.
A partir desse momento, a comunidade religiosa passou a ter oficialmente o status de paróquia.
Quem foi o primeiro vigário?
No ano seguinte à criação da paróquia, ocorreu outro acontecimento importante.
Em 1928, o Padre Carlos Fuchs foi nomeado o primeiro vigário da Paróquia Nossa Senhora das Dores.
A tomada de posse do primeiro vigário ocorreu em janeiro de 1928, segundo os registros históricos da paróquia.
A presença de um sacerdote responsável diretamente pela comunidade ajudou a consolidar a organização religiosa local.
A igreja deixava definitivamente de ser apenas uma capela ligada à comunidade de Assis e passava a ter uma estrutura paroquial própria.
A chegada dos Frades Capuchinhos
Outro capítulo importante da história da igreja aconteceu na década de 1950.
Em 1954, chegaram a Cândido Mota os Frades Capuchinhos, que assumiram a responsabilidade pela paróquia.
A própria Província dos Capuchinhos registra que, atendendo a pedidos do primeiro bispo de Assis, Dom Antônio José dos Santos, a ordem decidiu aceitar a paróquia de Cândido Mota em 1954. Os primeiros frades enviados foram Frei Teófilo de Amparo e Frei Silvino de Piracicaba.
A chegada dos religiosos marcou uma nova fase na história da comunidade.
E, poucos anos depois, começaria uma das maiores transformações físicas do templo.
1956: uma nova matriz
Em 1956, começou a construção de uma nova Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores.
A nova igreja foi construída ao redor da igreja anterior, seguindo uma estratégia semelhante à utilizada décadas antes.
Segundo os registros da comunidade, a nova matriz foi construída em estilo colonial, durante o período de atuação dos Frades Capuchinhos.
A construção representava o crescimento que Cândido Mota havia experimentado desde os primeiros anos do século XX.
A pequena capela de madeira de 1919 já fazia parte do passado.
A igreja de tijolos construída em 1925 também começava a dar lugar a uma estrutura muito maior.
Um estudo histórico da UNESP registra que a igreja menor construída na década de 1920 permaneceu no local durante parte da construção da nova matriz e foi demolida em 1958, quando as partes principais da nova igreja já estavam construídas.
Da pequena capela à atual matriz
A evolução da igreja pode ser resumida em algumas grandes etapas:
1913
Valêncio Carneiro de Castro doa a área destinada à construção da igreja e, segundo a tradição paroquial, também uma imagem de Nossa Senhora das Dores.
1919
É construída a primeira capela de madeira.
1922
A pequena igreja é ampliada devido ao crescimento da população.
1925
Começa a construção da igreja de tijolos.
1926
A construção da nova igreja de tijolos é concluída e a antiga estrutura de madeira é demolida, segundo os registros paroquiais.
1927
A igreja passa oficialmente a ser a Paróquia Nossa Senhora das Dores, em 15 de setembro.
1928
Padre Carlos Fuchs assume como primeiro vigário.
1954
Chegam os Frades Capuchinhos.
1956
Começa a construção da nova matriz em estilo colonial.
1958
A antiga igreja menor é demolida durante o processo de conclusão da nova matriz.
Nossa Senhora das Dores: a origem do nome
Mas por que a igreja recebeu o nome de Nossa Senhora das Dores?
A devoção católica a Nossa Senhora das Dores está relacionada às dores atribuídas à vida de Maria diante dos sofrimentos de Jesus.
Entre as tradicionais “sete dores” estão episódios como a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus no templo, o encontro de Maria com Jesus no caminho do Calvário, a presença junto à cruz, o recebimento do corpo de Jesus e o sepultamento.
A devoção está diretamente ligada à identidade religiosa da comunidade de Cândido Mota.
E a data de 15 de setembro, quando a Igreja Católica celebra Nossa Senhora das Dores, acabou tendo importância especial para a própria história da paróquia.
Foi justamente em 15 de setembro de 1927 que a comunidade foi oficialmente elevada à condição de paróquia sob esse título.
A igreja e a formação do centro de Cândido Mota
A história da Igreja Nossa Senhora das Dores também ajuda a entender a formação urbana de Cândido Mota.
A Prefeitura registra que a área doada por Valêncio em 1913 ficaria no centro do desenvolvimento do povoado.
Com o crescimento da cidade, a igreja passou a fazer parte de uma região central onde também se estabeleceram outras instituições importantes.
Estudos sobre a formação urbana do município identificam a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores entre os edifícios importantes da região central, juntamente com equipamentos públicos e educacionais.
Assim, a igreja não apenas acompanhou a expansão da cidade.
Ela também se tornou parte da própria paisagem urbana e da memória coletiva de Cândido Mota.
Muito mais do que um prédio religioso
Ao longo de mais de um século, a igreja testemunhou profundas transformações.
Viu o pequeno Posto Jacu transformar-se em Vila.
Viu a vila transformar-se em distrito.
Viu o distrito tornar-se município.
Acompanhou a chegada de novas famílias.
Acompanhou o crescimento da agricultura.
Viu a ferrovia movimentar a cidade.
Presenciou mudanças na arquitetura, nos costumes e na maneira de viver.
E, principalmente, esteve presente em momentos importantes da vida de inúmeras gerações de moradores.
Para muitas famílias de Cândido Mota, a história da igreja se mistura à própria história familiar.
Batizados, primeiras comunhões, casamentos, missas, despedidas e celebrações fizeram parte da vida de milhares de pessoas.
Por isso, quando se fala da Matriz Nossa Senhora das Dores, não se está falando apenas de uma construção.
Está se falando de memória.
A padroeira de Cândido Mota
Nossa Senhora das Dores permanece como a padroeira da comunidade.
A Paróquia celebra anualmente o dia dedicado à santa em 15 de setembro, data que também marca o aniversário de fundação da própria paróquia.
A celebração tornou-se parte importante do calendário religioso e comunitário de Cândido Mota.
A devoção atravessou gerações e permanece presente na identidade religiosa do município.
Uma história construída por muitas gerações
A história da Igreja Nossa Senhora das Dores pode ser contada por meio de suas paredes.
Primeiro vieram as pequenas estruturas de madeira.
Depois, uma igreja maior.
Em seguida, a construção de tijolos.
E finalmente uma nova matriz, construída para acompanhar o crescimento de uma cidade que já não era mais o pequeno povoado do início do século XX.
Cada construção representa uma geração.
Cada reforma representa uma transformação.
Cada celebração representa uma lembrança.
E cada pessoa que passou por aquele templo deixou, de alguma maneira, uma parte de sua história.
Linha do tempo da Igreja Nossa Senhora das Dores
1913 — Valêncio Carneiro de Castro doa área para a construção da igreja e, segundo a tradição paroquial, uma imagem de Nossa Senhora das Dores.
1919 — É construída a primeira capela de madeira.
1922 — A capela é ampliada devido ao crescimento da comunidade.
1925 — Começa a construção da igreja de tijolos.
1926 — A nova igreja é concluída, segundo os registros paroquiais.
15 de setembro de 1927 — É criada oficialmente a Paróquia Nossa Senhora das Dores.
1928 — Padre Carlos Fuchs torna-se o primeiro vigário.
1954 — Chegam os Frades Capuchinhos.
1956 — Começa a construção da nova matriz em estilo colonial.
1958 — A antiga igreja menor é demolida durante a conclusão da nova matriz.
Uma igreja que faz parte da história de Cândido Mota
A história da Igreja Nossa Senhora das Dores é inseparável da história de Cândido Mota.
Sua trajetória começou quando a cidade ainda não existia oficialmente.
A primeira capela nasceu quando o povoado ainda era conhecido como Posto Jacu.
A paróquia foi criada poucos anos depois da emancipação municipal.
E a atual matriz surgiu em uma época em que Cândido Mota já havia se transformado em uma cidade consolidada.
Mais de cem anos depois da doação do terreno, a Igreja Nossa Senhora das Dores continua sendo uma das principais referências históricas, religiosas e culturais do município.
Sua história mostra algo importante:
as cidades não são construídas apenas por ruas, casas e prédios.
Elas também são construídas pela fé, pelas tradições, pelas famílias e pelas memórias que atravessam gerações.
E, em Cândido Mota, uma parte importante dessa memória está guardada na história de sua padroeira.
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